quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Publicado na Gazeta Regional de Goioerê em 08/12/12


“Todo homem tem o direito de decidir seu próprio destino.” (Bob Marley).

A música, assim como os livros, são legados de histórias e acontecimentos políticos.
Em 06 de fevereiro de 1945, nasce Robert Nesta Marley, um jamaicano pobre e como uns previam, com um futuro pouco promissor - o lendário Bob Marley. E é na militância do movimento rastafári, que nada mais é que um misto de religião e atitude política, que esse saudoso personagem da história musical ganha destaque.
A religião rastafári prega a sublevação da raça negra dominada pelos brancos. Sua noção de deus é de uma divindade negra, que habita um paraíso que é dado como triunfo da raça e o inferno é a própria Jamaica e mundo adjacente, Babilônia.
Para os políticos da época, Bob era um paradoxo, pois pregava ideias revolucionárias demais para se encaixar em um só ideal partidário, mas mesmo assim, optou por seguir os passos do socialismo, que era a ideologia que mais se encaixava nos padrões do movimento do qual fazia parte.
Em 1970 Marley encara sua música como uma mensagem rastafári para se propagar pelo mundo. Apoiando os socialistas, Bob é um grande nome na política e seu prestígio atrai milhares de votos, sendo assim, vira alvo de perseguições políticas, essas que não o calam, mas que o incentivam a pregar sua filosofia para uma melhor qualidade de vida aos seus irmãos, o povo negro, que tanto sofria com a política elitista, com a propagação de pensamentos de caráter dominante e tiranias sangrentas.
Seu som, o reggae - som de protesto negro, ultrapassou barreiras internacionais e consolidou-se como um dos dez ritmos mundiais de uma época e que até hoje ecoa no nosso dia-a-dia. Forma musical que no princípio era somente uma exaltação a um movimento religioso e que se tornou um impulso revolucionário.
Em 1981 falece vítima de câncer e deixa como legado a esperança para um povo oprimido que passa a enxergar a liberdade. Ainda hoje sua música é aclamada e respeitada por todo o mundo.

“Eles dizem que o sol brilha para todos, mas para algumas pessoas no mundo ele nunca brilha.” (Bob Marley).

E por falar em música, o sucesso “Gangnam Style” do rapper sul-coreano Psy, não é somente um ritmo dançante, mas uma paródia extremamente inteligente sobre a elite desinformada. Que assim como diz a revista Rolling Stone – “primeiro artista coreano a romper um grande recorde”, “Pop político?”. E o mais engraçado disso tudo é que embala multidões, principalmente nos EUA, de uma elite não politizada que quer apenas “curtir” o som, sem maiores discussões éticas. Mais uma vez bato na tecla de que é necessário sim, discutir mais, analisar mais e ter uma visão crítica do que a mídia e o consumismo em massa nos ofertam.

Um comentário:

Tamara Ferreira disse...

Parabéns prima, adorei o texto. Muito bom.!!